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Ossapossabembeijar?

Um canto despretensioso que fala de nada e de pouco ... mas onde se pode sentar tranquilamente e não pensar! Um pedaço onde vale a pena esperar ... por "porra" nenhuma ...

Um canto despretensioso que fala de nada e de pouco ... mas onde se pode sentar tranquilamente e não pensar! Um pedaço onde vale a pena esperar ... por "porra" nenhuma ...

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Nov19

#156 | Desafio de escrita dos pássaros #10

ossapossabembeijar

A curvááá e a contracurvááá …

Já chegamos? Já chegamos?”, pergunta a miúda pela décima segunda vez, sempre com sotaque do norte em que carrega bem nos “a” e nos “os” parecendo “ús “ e prolongando as palavras, do género jááá chegámúúúúúúúúúús???”.

Estamos quase quase”, respondo com o último fio de paciência que me restava e já em modo pré-desespero.

A minha sobrinha, de 6 aninhos, estava entusiasmada com o passeio ao Bom Jesus de Braga que não conhecia. Vive em Barcelos, terra dos galos portugueses, a 20 quilómetros, mais coisa menos coisa.

A viagem foi um manancial de perguntas, expressões e comentários. Mas teve, como sempre, episódios bem engraçados.

Pelo caminho expliquei-lhe que as curvas e contracurvas se devem ao engenheiro inglês (tinha que ser um engenheiro, pois tá claro) que a construiu aos “esses”.

O que é uma contracurvááá?” perguntou.

Disse-lhe “A curva é num sentido e uma contracurva em sentido contrário. Se soubesses o que é um blog, percebias que uma contracurva é como o desafio dos pássaros. Sempre aos esses sem saber por onde ir, nem sabendo onde chegar”.

Ela, impaciente de conhecimento, disse sem medos “Este inglês era muitúúú parvúúúúú. Quais pássarúúúúús?”.

O pássaro culpado é uma tal de caracol”, respondo. Gargalhando diz-me “Um caracol não é pássarúúú!”.

É cada tema e contratema que só voando mesmo. Isso ou produto a mais e tabaco a menos. Possas!”, exclamei.

Não respondeu mas ouvi o grito assustado “Naum vai cabéééreee”. Logo depois de passarmos por baixo do viaduto do elevador atira suspirando “Cabeúúú possasss!”.

Quando chegamos mostrei-lhe a igreja e contei-lhe algumas das coisas sobre a sua história que tinha lido na Wikipedia.

Expliquei-lhe que o Bom Jesus era um Santuário, tem uma escadaria com mais de 500 degraus e que muitas pessoas cumpriam promessas subindo pelas escadas, lá de baixo até cá acima.

Mostrei-lhe o elevador que sobe mais de cem metros de altura, paralelamente à escadaria, e usa a água das fontes para descer e subir.

Descemos alguns degraus para ver a vista. Não parava de olhar. Ora para a igreja, ora para a cidade espraiada lá em baixo.

De repente um bêbado, que tínhamos visto lá em cima, dá um trambolhão e começa a descer pelas escadas abaixo, rolando degrau a degrau.

Passa por nós que, sem qualquer reação, ficamos a olhar. Parou alguns degraus abaixo.

A Matilde olha-me e pergunta de olhos bem abertosÉ uma contrapromessááá tiúúú Jácintúúúúúú?”.

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